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Cromo Orgânico se mostra como uma ferramenta essencial e de baixo custo para a produção de suínos de alto desempenho.

A utilização do Cromo na suinocultura vem sendo cada vez mais estudada, uma vez que é um mineral essencial que participa do metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos dos animais.

Apesar de ter sido descoberto há mais de dois séculos, apenas em 1959 os pesquisadores Schwarz e Mertz mostraram que o Cromo faz parte de um fator nutricional que potencializa a insulina, denominando-o fator de tolerância à glicose (GTF), o que evidencia ainda mais a essencialidade deste mineral.

A ação do Cromo está diretamente ligada à ação da insulina na membrana celular, aumentando a sensibilidade do receptor à insulina por meio da inibição da enzima fosfatase fosfotirosina, a qual reduz a sensibilidade de tal receptor.

O Cromo é um dos minerais mais abundantes na natureza, sendo o Cr3+ (cromo trivalente) a forma mais estável e de maior importância nutricional. Este mineral é utilizado na dieta dos animais, principalmente, na forma inorgânica devido ao seu baixo custo. No entanto, a absorção da forma inorgânica é muito baixa, sendo por volta de 0,4 a 2%.

Essa baixa absorção se deve a fatores como presença de fitato e competição com outros minerais, em especial o zinco, o ferro e o vanádio. Assim, além dos requerimentos de Cromo não serem atendidos, os animais excretam maior quantidade do mesmo quando administrado em sua forma inorgânica.

O Cromo em sua forma orgânica pode ser uma alternativa interessante, pois sua absorção pode ser até 10 vezes maior do que em sua versão inorgânica. O Picolinato de Cromo, que é o mineral complexado com o ácido picolínico – um isômero da vitamina B3 (ácido nicotínico) -, apresenta os melhores resultados na nutrição de suínos.

Estudos mostram que a suplementação de Picolinato de Cromo na fase de crescimento e terminação afeta positivamente o ganho de peso, a conversão alimentar, a proporção de carne magra/gordura e o rendimento de carcaça, melhorando assim a produtividade nessa fase e agregando valor à carne desses animais.

Assim, devido à capacidade de aumentar a deposição de carne e reduzir o teor de gordura na carcaça, o Picolinato de Cromo pode ser uma alternativa à ractopamina, especialmente para granjas que destinam sua produção à países que restringem o uso desta substância. A crescente demanda do mercado consumidor pela proibição do aditivo (ractopamina) abre portas para o Picolinato de Cromo, que se destacada também pelo baixo nível de inclusão (200 a 1000 ppb), tornando-se assim, uma ferramenta fácil de se utilizar e de baixo custo.

Além disso, o Cromo por ter um modo de ação particular, apresenta efeitos sinérgicos quando utilizado com outros aditivos nutricionais. Para produtores que destinam a produção ao mercado interno, o Picolinato de Cromo pode complementar a ação da ractopamina, melhorando a qualidade de carcaça.

O Cromo pode também ter um efeito positivo em situações de estresse, nas quais os animais reduzem a ingestão de ração e há um aumento nos níveis de cortisol na corrente sanguínea, inibindo a ação da insulina, o que diminui o desempenho dos animais. Neste cenário o Cromo é uma ótima alternativa, por aumentar a ação da insulina e melhorar o aproveitamento dos nutrientes.

Como a suplementação do Picolinato de Cromo potencializa a ação da insulina, também é possível observar efeitos positivos em características reprodutivas, sendo que a insulina estimula a foliculogênese. A insulina também está relacionada com o aumento na taxa de ovulação e com a produção de IGF-I pelos folículos, o que pode ser comprovado em estudos que demonstraram aumento no número de leitões nascidos vivos.

Entretanto, é importante ressaltar que os benefícios da suplementação com Picolinato de Cromo são observados a partir do próximo ciclo, devido ao tempo que leva para fazer efeito e por isso deve ser usado de forma contínua.

O Cromo Orgânico se mostra como uma ferramenta essencial e de baixo custo para a produção de suínos de alto desempenho, podendo ser utilizado em quantidades menores que suas versões inorgânicas, reduzindo o impacto ambiental, além de promover maior eficiência produtiva dos animais aumento da rentabilidade ao produtor.

 


Bruno Guimaraes Amorim

Coordenador de Produto

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